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Bárbara Seabra é autora dos livros: “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”.
Você pode adquirir aqui na Livraria.
(Google Imagens)
(15 de outubro de 2026)
Melhores Músicas
Nosso filho mais velho entrou no carro enquanto tocava uma música de Legião Urbana. Ele disse que eu escuto sempre as mesmas músicas. Não está errado. Tenho minhas músicas preferidas e, pasmem!, devem ser as mesmas de quando era adolescente.
Ouço RPM, Biafra, Ritchie, Metrô. Lembro das coreografias de Dominó, Menudo e de Luan e Vanessa cantando Quatro Semanas de Amor.
Tudo bem que nem sempre me recordo onde estacionei no shopping, mas, se tocar Manequim, eu sei em qual momento devo mexer o cabelo e olhar para trás!
Aprendi, claro, a variar um pouco os gostos musicais. Um pouco! Gosto de Seu Pereira e Coletivo 401, de Bella e o Olmo da Bruxa, de Ferrugem e Quadeca, mas as músicas “conforto” são aquelas repetidas década após década.
Estava levando meu esposo ao trabalho quando começou a tocar Tédio na minha playlist. Ele vira para mim e diz:
Sabia que Biquíni Cavadão atualmente é só Biquíni?
Começamos a lembrar das outras bandas que perderam parte de seus nomes. Kid Abelha (e os abóboras selvagens), João Penca (e seus miquinhos amestrados) e agora Biquíni (Cavadão). Confesso que acho os nomes originais muito mais legais.
E mais! Continuo chamando como antigamente. Imagina Barão Vermelho sendo só Barão. Ou Camisa de Vênus sendo só Camisa. Que graça teriam? Parte da beleza dos rocks dos anos 1980 foi exatamente a escolha dos nomes das bandas!
Não! Definitivamente gosto dos nomes originais! E das músicas também.
Estávamos em casa e começamos a cantar Meu Mel, de Markinhos Moura (era Marquinhos!!!) quando Sofia fala surpresa que conhecemos Zé Vaqueiro.
Desculpa, gente, não conheço Zé Vaqueiro. Posso até um dia vir a conhecê-lo, gostar dele e coisa e tal, mas nesse momento só lembrava de Markinhos (K!) Moura cantando Meu Mel no programa do Raul Gil. Zé Vaqueiro regravou essa música. Assim como Eva, de Rádio Táxi, foi regravada por Ivete Sangalo. E Sangue Latino, de Secos e Molhados, foi regravada por Nenhum de Nós. E Você, de Tim Maia, ganhou uma repaginada pelos Paralamas do Sucesso.
Então, nosso filho mais velho que me desculpe, mas consigo provar que continuo escutando as melhores músicas e elas são tão boas que sempre estão ganhando nova roupagem. Daí as regravações em diversos gêneros musicais, do axé ao forró, comprovando minha teoria.
Bárbara Seabra
Escritora e autora dos livros “O diário de uma gordinha”,
“A janela do isolamento” e “Não me lembro”
(Google Imagens)
(18 de setembro de 2026)
SETEMBRO!
Setembro me lembra de nossas vidas em Bauru, São Paulo! Quando chegava setembro, papai me ligava e dizia:
___Chegou o “embro”! Daqui a pouco vem dezembro e vocês virão de férias!
E, assim, tínhamos nossa própria contagem dos meses. Entre estudos e correria, tudo se tornava mais leve, pois a proximidade das férias com a expectativa do convívio familiar dava-nos novos ânimos.
Os anos passaram e um novo Setembro chegou.
Chegou com novos desafios, mas também com uma carga imensa de gratidão.
Engraçado olhar para trás e perceber que praticamente ontem estávamos celebrando o Réveillon. Como os dias passaram acelerados, as semanas voaram, os meses se atropelaram e parece que sempre estamos esperando algo chegar para começarmos a viver.
Segunda-feira que vem eu começo a dieta!
Mês que vem começo na academia!
Ano que vem planejo uma viagem!
E quando começamos a viver?
(Google Imagens)
(Google Imagens)
Setembro já está rolando faz tempo… Logo, logo, veremos decorações de Halloween nas lojas. Ainda, em breve, estaremos escolhendo os presentes de Natal!
E quando começamos a viver?
Bárbara Seabra
Escritora e autora de “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”
Bárbara Seabra é autora dos livros: “O diário de uma gordinha” e “A janela do isolamento”.
Você pode adquirir aqui na Livraria.
https://pixabay.com/pt/photos/mulher-jovem-deitado-relva-terra-8700536/
As cobranças
(18 de agosto de 2026)
Todos os dias - todos os dias! - recebo ao menos um reels falando sobre cobranças. Alguns cômicos,
uns críticos e outros exalando verdades que para mim não existem.
Falo das cobranças femininas que, parece, só aumentam a cada dia. Desde cabelo perfeito, pele perfeita, unha perfeita, corpo perfeito, maquiagem perfeita, até o tempo! Tempo para treinar, para curtir filhos, para sair com marido, para um café com amigas, para ler, para escrever, para estudar, para trabalhar, para ser exímia cozinheira, ser exímia costureira, ser exímia cabeleireira (lembram do dia do cabelo maluco? Pois é!), ser exímia dona de casa, ser exímia funcionária ou empreendedora, para saber por a mesa cuidadosamente, saber fazer bolos decorados. Enfim! Para tudo que existe há um tanto de cobrança.
Mas, o que talvez mais me assuste e amedronte é que os vídeos que recebo geralmente são de algum blogueiro famoso que eu NUNCA HAVIA OUVIDO FALAR. Com milhares de seguidores e de opiniões formadas sobre tudo, sem embasamento científico, sem conhecimento de causa. Apenas um celular e o perfil do Instagram aberto. E saem falando sobre o que é certo, belo e normal como se houvesse sempre um certo, belo e normal onde possamos nos encaixar.
Quem estamos seguindo?
Me coloquei a refletir como essas cobranças me ferem. Eu, uma mulher de 51 anos, mãe, esposa, filha, amiga, estudante, em processo de mudança de profissão. Eu, uma mulher que cresceu num momento onde não existia internet, IA, redes sociais e hoje me deparo com um mundo regido pela internet, pela IA e pelas redes sociais. Eu me vejo observando postagens agressivas sobre uma atriz que emagreceu, outra que engordou, outra que decidiu casar, outra que escolheu separar, outra que não quis filhos, outra que quis muitos filhos…
Sempre - sempre! - tem alguém opinando sobre nossas vidas. E nem mesmo nos conhecem! Não sabem nossas batalhas. Não entendem o malabarismo que é segurar todos os pratos das nossas responsabilidades e continuar girando-os enquanto tentamos andar para a frente.
E nós permitimos…
Como deve ser difícil ser adolescente e carregar esse mundo de cobranças dentro de sua bolsa. São 24h de pura cobrança no celular.
Como chegamos ao ponto de permitir isso?
Como chegamos ao ponto disso ser normal?
Como?
Precisamos falar sobre isso…
Bárbara Seabra
Instagram: @livroacontagota
A tal da pamonha
(23 de junho de 2026)
Quando chegamos em Bauru, recém formados e recém-casados, por volta do meio da tarde, passava o carro da pamonha.
Pamonha salgada.
Pamonha doce.
Pamonha recheada.
Nunca tinha visto aquilo.
Só conhecia a pamonha-pamonha. Não sabia que ela teria “sobrenomes”, diferentes opções.
Lembrava da minha infância, de minha avó e tias descascando as espigas, ralando o milho, preparando as caixetas com as palhas. Eu e os primos jogando adedonha, war, correndo e brincando.
Pamonha e canjica tinham cara de São João, de festa, de forró e de fogueira acesa.
Milho assado, milho cozido, bandeirolas na varanda, Gonzagão e Dominguinhos na vitrola.
Esse ano não vi uma fogueira! Não vi milho assado! Não ouvi quadrilha nas casas próximas ao nosso prédio!
O que está acontecendo com a nossa cultura?
Penso em quantas coisas mais estão se perdendo ao longo dos tempos… As roupas quadriculadas foram substituídas por uma profusão de couro, as sanfonas foram substituídas por teclados. Os cantores raiz perderam espaço para as bandas do momento.
Que pena!…
Ainda bem que guardo na memória momentos tão preciosos.
E, mesmo sozinha, ao entrar no carro coloco um forró de pé de serra para me lembrar que estamos em junho.
Bárbara Seabra é Cirurgiã-dentista
e Autora do livro “O diário de uma gordinha”
Bárbara Seabra
Instagram: @livroacontagota
A Igreja
(10 de junho de 2026)
Entramos na igreja e nos deparamos com o caixão. Foi o primeiro velório de que nossos filhos participaram. Penso na vida e seus percursos. Quando jovens vamos às festas e farras, depois aos casamentos e batizados, depois os velórios e enterros se tornam mais comuns. E seguimos! É a natureza da vida…
Deparamo-nos com aquele desconforto causado por uma morte inesperada que me faz pensar se todas as mortes não são, definitivamente, assim, inesperadas. Mesmo com qualquer preparo para o fim estamos realmente preparados?
Vêm os abraços. As conversas sussurradas. A partilha da dor. Uma risada destoa no ambiente. Mas, a risada faz parte da vida. A morte também!
Pego-me olhando para o teto da igreja, para o altar, para a disposição dos bancos. Não bate com a memória que tenho daquele lugar…
No dia seguinte meu esposo me questiona se a igreja sempre foi daquele tamanho. Ele tinha a sensação de que ela era maior. Compartilho com ele esse sentimento.
Como nossas memórias nos pregam peças!
Ou será porque, na infância, tudo é maior mesmo? As alegrias, as tristezas, as vitórias, os medos. Alguns anos depois, quando compartilhamos coisas que marcaram nossas lembranças, muitas vezes vemos que há um hiato entre a veracidade dos fatos e nossas memórias.
O pão que era enorme nas nossas lembranças hoje vemos que era um pãozinho francês comum, desses encontrados em qualquer padaria. O pastel gigante que eu comia no recreio da escola nem era tão grande assim. O cachorro do vizinho não tinha o tamanho de um pônei, como muitas vezes afirmei. A corrida imensa que nos fez chegar ao final com a língua de fora e falta de ar não passava da distância entre dois quartos na casa de nossos avós.
Na infância tudo tem tamanhos maiores, proporções inalcançáveis.
Grandes medos pelo bicho papão que “vivia” sob a cama ou no guarda-roupa. Grande alegria por compartilhar com a vovó uma taça de sorvete que na minha memória tinha dez bolas de sabor baunilha e hoje me questiono se eram tantas ou se minha mente as multiplicou. Não importa o tamanho da taça, mas o sorriso que essa memória ainda é capaz de me dar.
Tantas coisas… Tantos hiatos…
Aquela igreja, em particular, era descrita pelo meu esposo como imensa. Talvez fosse mesmo, na sua infância. Talvez fosse seu significado que era grandioso em sua história. Talvez fosse seu tamanho diante do mundo naquela época.
A igreja, assim como o pão francês ou o pastel do recreio, não diminuiu.
Fomos nós que crescemos…
Bárbara Seabra é Cirurgiã-dentista
e Autora do livro “O diário de uma gordinha”
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