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Elikah França é Matemática, Mestre em Banco de Dados, Bacharel em Direito, Especialista em Perícia em Crimes Digitais e Especialista em Ciências Criminais.
(Imagem: Google)
(19 de outubro de 2026)
Short, meia colorida, tênis confortável, número no peito, óculos, cabelo, com ou sem boné…decidido! Penteado, brilho, presilhas coloridas, luzes. É o show das corridas de rua, uma verdadeira explosão de criatividade, de alegria.
Na corrida de rua tem gestante, crianças de colo, pais empurrando carrinho com bebê, cadeirantes, pessoas magras, outras nem tão magras. Há pessoas altas e baixas, homens, mulheres, indecisos e famílias inteiras. É um programa familiar!
Para alguns o objetivo é subir no pódio, diminuir o pace e mostrar resultado. É ter cuidados na recuperação, fazer parte de uma tribo. Mas, para a grande maioria, é diversão, superação. É saber que não está sozinho. É vencer cada ladeira. É força, é vontade de cruzar a linha de chegada. Não é só correr. É participar, antes de tudo. É chegar no final e passar pela última linha. É chegar. Fazer pose para sair bem na foto faz parte. Depois, é curtir a festa que começou antes da largada.
Participar também é sair de casa e se movimentar. Reunir os amigos e a família.
(Imagem: Google)
Dizem que quem corre é meio louco, pois corre a qualquer hora e em qualquer lugar. Há quem corra sozinho, outros em tribo. Há quem corra com a família.
Quem corre, corre. Hoje corre os 5km, amanhã são uns 10km. Diz que vai ficar por aí, mas corre mais e mais e tenta a meia maratona.
(Imagem: Google)
Desafia a si mesmo.
Pensa!
A maratona é mais difícil?
Corre, corre, corre. Continua correndo.
Se inscreve na maratona. Agora vai ter que ir. Vai, ganha medalha. Corre, corre, corre. Não tem limite, o corpo pede. Corre para diminuir o tempo, corre para aumentar o pace. Corre para lidar com a ansiedade, corre para esquecer, corre para pensar. Corre para melhorar a capacidade pulmonar. Corre para se sentir bem. Correr para comer o que gosta.
Correr, só correr! Cada um no seu ritmo, cada um com seu propósito.
(Imagem: Pixabay)
(02 de outubro de 2026)
De repente, fez-se silêncio. O corpo agora inerte permanecia na sala fria. Fora um pai dedicado e estava aprendendo a ser avô. Mas, sua vida se transformou em lembranças, em histórias contadas ao redor da mesa. Para uns, lembranças de ontem. Para outros, histórias que contaram.
E o corpo esfria no momento da despedida enquanto lá fora o vento sopra e o sol aquece.
A vida segue em frente.
Carros buzinam pedindo passagem. Um menino grita chamando pela mãe. O movimento é geral. Pessoas vão e vêm.
O mundo não espera, pois a vida continua.
Como assim? Como fica a ausência de quem partiu?
O lugar resta vazio. Uma voz não se ouve mais. A porta que já não se abre.
O silêncio, como saudade e ausência, preenche os espaços. Cada um sente o seu silêncio e a sua saudade. Aprende-se a seguir a ausência.
É o jeito.
A vida não nos dá trégua,
ela não pára para olhar para nossa dor.
Acelerei o carro e segui meu caminho. Cuida!
(Imagem: Pixabay)
(Imagem: Pixabay)
O destino é seguir a vida, preenchendo seus vazios. Para encontrar sentidos, busque novos caminhos e propósitos.
Siga em frente!
O mundo não vai parar para sentir sua dor. Você terá que aprender a suportá-la. Não tem jeito! A vida segue em frente.
O corpo esfria.
O quarto fica vazio.
O mundo continua a girar.
A luz se apaga.
(imagem: Google)
Despedida não é o fim do caminho
(28 de agosto de 2026)
___Não precisamos mais dos seus serviços. Ela ouviu um tanto surpresa e abalada.
A porta se fechou.
A vista escureceu.
As pernas tremeram.
O coração acelerou.
A respiração parou…
De repente, o dia tão certo e tão temido chegou para ela.
"Certo, porque nenhuma situação é eterna", ela pensou.
Temido porque no início se tem a consciência da volatilidade da situação. Mas com o passar do tempo, o dia a dia vai se tornando parte da história. Parte da vida, presença constante na rotina e no cotidiano.
"Vou embora!" Sua mente não parava de girar.
Como ficariam as amizades que ela cultivou? E as histórias que construiu? Seriam desfeitos os laços que criou?
"Como fica o amanhã?"
Incerto, vazio e com uma enorme saudade. Ela sabia que seus dias não seriam mais os mesmos. Deixaria de acordar cedo e revisaria o planejamento de seus horários.
Ela não sabia que essa data seria a última vez em que tomaria como seu o rumo dos acontecimentos.
Ninguém a avisou que amanhã ela seria uma estranha no lugar onde tanto estivera, onde escrevera tantas linhas da sua história de vida. Não deixaram transparecer que seu acesso seria bloqueado. Não permitiram que ela digerisse a situação, nem que se acostumasse com a ideia de ser dispensada.
Não deixaram que ela construísse em sua própria mente a postura de encarar a realidade de não ser mais necessária.
"É hora de ir embora!"
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Escreveu com emoção nas letras de sua mente uma carta de despedida que nunca seria escrita:
"Aos amigos, deixo muitas saudades.
Aos colegas, desejo sorte.
A muitos, meu muito obrigada pela parceria de trabalho.
Levo muito aprendizado.
Levo muitas lembranças boas.
Levo muitas histórias para contar".
Ela suspitou fundo, com o dedo afastou uma lágrima que poderia borrar a maquiagem. Bateu para fora a poeira dos pés.
Era hora de ajustar seu olhar para o futuro e traçar novas metas. Era momento de recomeço.
"Meu amanhã começo a construir hoje. É vida que segue!" Pensou.
__ Deus no comando, fé no futuro e pé no chão. Falou baixinho para si mesma.
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(imagem gerada pelo Grok)
(02 de agosto de 2026)
Já dizia Lulu Santos que “não existiria som se não houvesse o silêncio. Não haveria luz se não fosse a escuridão“.
E nesta vida de contrastes aprendemos que nada é tão assim ou assado, se não for bom, é ruim.
Se não for preto é branco… Se assim fosse, onde ficam os meio-tons? O quase um ou o quase outro? Um pouco mais para lá sem chegar lá? Um meio caminho entre um e outro.
Quando se chega quase lá, ainda estamos do lado de cá?
Aos poucos vamos aprendendo que, entre um e outro, podem haver outras opções, opiniões ou oportunidades
O preto, antes de se tornar branco, passa pelo cinza escuro… Depois um cinza um pouco mais claro, mais claro, mais claro… Branco! Me parece que tudo é assim.
(imagem: https://pixabay.com/pt/users/anaterate-2348028/)
Dizem que inveja é ruim e admiração é bom. Mas tem aquela inveja boa e a admiração ruim, quase inveja. Afinal, onde estamos quando sentimos muita admiração que quase parece inveja? E quando alguém sente tanta inveja que é incapaz de sentir admiração? E quando se sente uma inveja tão grande que se quer aniquilar o outro? Não seria a inveja o lado ruim da admiração? Ou talvez o seu exagero?
Primeiro se admira. Depois se admira tanto que se torna quase um fã! Torna-se fã! E de tanto admirar, já começa a sentir uma leve inveja… Uma inveja boa, aquela que nos faz vibrar com as conquistas do outro, desejar felicidade, sucesso.
Se deixar, há um momento em que a admiração vira inveja. Aquela vontade de estar no lugar da outra pessoa. Aquela vontade de ter o que a outra pessoa tem, vontade de trocar de lugar com a outra pessoa, vontade de ter as mesmas coisas, os mesmos amigos, as mesmas conquistas, o mesmo brilho, e lá se foi a admiração.
Ah! Que tênue linha com a inveja!
(imagem: https://pixabay.com/pt/users/vilkasss-35420724/)
De repente, a admiração se transforma e a inveja se torna nociva e destruidora porque não existe nada que seja só doce ou que seja só sal. Às vezes, o doce e o sal se misturam e o que era doce vai ficando salgado e o que era realmente doce nem sempre permanece.
A vida é mesmo assim… Nem só sal, Nem só açúcar .
Nem tudo é de todo mal, nem tudo é só bondade. Nem tudo é o que é para sempre.
Entre os extremos, tem o meio do caminho. Tem a estrada, o quase lá. E, antes de chegarmos ao final, na outra extremidade, vamos mudando.
Nós não seremos mais os mesmos. Pelo meio do caminho nos misturamos. Absorvemos o bem e o mal, a dor e a alegria, o amor e o ódio, a bondade e a maldade. Um tanto de um, um pouco de outro. Essa mistura é um quase lá.
Talvez nem tanto.
Talvez eu fique silêncio.
Talvez eu vire um som.
Elikah França
Instagram: @elikah
Mas afinal, o que é essa tal IA?
(18 de julho de 2026)
Muita gente já sabe que IA é a abreviatura de Inteligência Artificial. Então, vamos falar sobre o que é inteligência e porque ela é artificial
Para começar, vamos entender o que é ser inteligente…
Para Michaelis, inteligência é a faculdade de entender, pensar, raciocinar; entendimento, intelecto, percepção, quengo.
Para a psicologia, é a habilidade de aproveitar a eficácia de uma situação e utilizá-la na prática de outra atividade.
Para a filosofia, um princípio espiritual e abstrato considerado a fonte de toda a intelectualidade.
Também pode ser um conjunto de funções mentais que facilitam o entendimento das coisas e dos fatos.
Independente de qual definição utilizemos, não há dificuldade em entendermos que o humano se adequa perfeitamente bem a todas estas definições.
Mas, quando pensamos em algoritmos e fórmulas estatísticas, em linhas de códigos, em processamentos digitais, pensamos em uma máquina. Só que ela não consegue tomar decisões sozinha.
E é esse o fato: elas não decidem por elas mesmas. Tecnicamente, trabalham a partir de padrões e pesquisas pensados por humanos.
Antes de ela conseguir responder, alguém humano pressionou uma tecla SIM ou NÃO indicando que uma ou outra resposta é válida.
Os humanos treinam a IA para reconhecer padrões previamente estabelecidos e devolver uma resposta de forma satisfatória ao usuário. (Nem sempre!)
Nós também aprendemos através da leitura e do conhecimento. Reconhecemos padrões e os repetimos.
Contudo, há uma grande diferença entre o nosso processo humano e o processo artificial: o volume e a velocidade de processamento das informações.
Com o desenvolvimento de processadores cada vez mais rápidos e com o aumento da capacidade de armazenamento, os algoritmos que usam a inteligência artificial aparecem como protagonistas de grandes ideias, de organizações primorosas de conteúdos, de agilidade e objetividade em todas as tarefas solicitadas.
E, assim como um aprendiz, vamos passando orientações para obtermos o que queremos.
Rápida para tratar grandes volumes de informações, mas nem tão inteligente para deduzir o que queremos.
Dizem até que há um novo profissional: o engenheiro de prompt.
É ele quem ensina e direciona as respostas obtidas através de técnicas que definem a abrangência das informações a serem apresentadas, o grau de detalhamento, a apresentação da informação, a profundidade e até a linguagem.
Sem isto, a máquina é medíocre e pode até criar situações e informações que nunca existiram no mundo real.
Tendo entendido o que é, basicamente, a inteligência artificial, será que o ”ser humano” se limita a responder perguntas, sintetizar conceitos, preparar apresentações, criar vídeos, criar imagens conforme pedido?
Sabemos que o “ser humano” é ser sensível a dor do outro, é entender que a vida é única, é poder abraçar e sentir o coração batendo junto, é sentir o calor do outro, é estender a mão, é ter um sorriso sincero, é se encantar com um pôr do sol, é parar para admirar a paisagem, é ser criativo, inventivo e original.
O "ser humano", é, antes de tudo, humano.
Dizem que a IA vai roubar empregos: é verdade! Ela pode imitar atividades rotineiras, pode ser exemplar na criatividade, pode ser perfeita nas profissões que exigem preparo físico, pois não cansa, não adoece, não engravida, não reclama, não discrimina.
A IA pode ser impecável para indicar o melhor caminho para chegar a um lugar, mas jamais poderá transmitir o calor do toque da mão de quem amamos, de quem cuida, de quem acolhe.
Ela pode até parecer ser inteligente, quando de fato é um monte de linhas de código lidas por um processador dentro de um objeto frio e indiferente.
Não se engane, se ela disser que te ama, ela estará apenas reproduzindo uma das possíveis respostas que podem te agradar. E ela, muitas vezes, é programada para "fidelizar o cliente", isto é, preparada para satisfazer suas expectaivas e mantê-lo dentro da plataforma ou do programa de assinaturas.
Ela não compreende sentimentos...apenas formula frases.
A IA vai ocupar muitos postos de trabalho em um caminho sem volta, mas nossa essência humana sempre irá buscar o olhar sincero, a mão que cuida, o calor que aquece e a palavra aleatória dita pela voz cheia de emoção.
Não compare IA com o ser humano. Nós ganhamos de longe pois somos únicos e "humanos"!
Elikah França
Instagram: @elikah
Até a próxima semana!
(03 de julho de 2026)
Quando eu era criança, era comum ter sempre uma pessoa no elevador operando os botões e conduzindo-o para cima e para baixo. Algumas ficavam em pé, outras tinham aqueles banquinhos onde metade do corpo fica apoiada e a outra metade fica sentada.
Adorava fingir que era eles quando tinha a sorte de entrar no elevador no final do expediente deles!
Saber que eles estavam ali nos dava uma certa segurança. Eles nos ajudavam a saber para qual andar iríamos:
— Doutor Fulano, é no 3º andar.
— Clínica dental? Fica no 10º andar.
Imagino quanta coisa aleatória eles não deveriam ouvir todos os dias:
— Bom dia! Está quente hoje, né?
— Boa tarde! Que calor é este?
— Sobe?
— Desce?
E tinha aquelas pessoas que entravam no elevador ignorando a presença deles… Continuavam contando sua história, aquela fofoca, aquela intriga! Ou, simplesmente, se acomodavam em algum canto do elevador e fingiam surdez!
Para os mais tímidos, era horrível ter que se dirigir àquele estranho para falar o andar para o qual desejavam ir… E quando o elevador estava cheio? "Será que posso falar no ouvido dele?", pensava o tímido ao adentrar o elevador.
Quando íamos várias vezes ao mesmo lugar, quase virávamos amigos! Era só entrar e ele já ia apertando o botão! Muitas vezes já sabia todos os detalhes do tratamento: quanto tempo duraria, quando voltaríamos…
— Até a próxima semana!
Hoje é um profissional raro de ser encontrado, quase não existe mais! As pessoas agora não precisam mais dos seus serviços. Nos lugares mais modernos, indicamos o andar e o elevador já é programado para ir apenas ao andar indicado. Sem erro! Sem demora! Sem conversa!
Assim é mais seguro. Ninguém mais erra o andar! No lugar do ascensorista, uma tela de TV anunciando, informando, comunicando.
O profissional perdeu seu posto, a tecnologia ocupou seu lugar e ninguém foi às ruas protestar. É a modernidade, é assim que funciona agora!
E eu me pergunto: para onde foram os profissionais ascensoristas? Migraram para outros postos de trabalho? Aposentaram-se? Viraram recepcionistas? Ficaram desempregados?
Quem sabe?
Quem viu?
Elikah França
Instagram: @elikah
Deixe de lado a vergonha!
(20 de junho de 2026)
Hoje amanheci pensando no que significa a palavra vergonha. Afinal, quais são seus múltiplos conceitos e aplicações? Não me preocupo com o que diz o dicionário; importa mesmo é saber o que a vergonha significa em nossas vidas e como ela se manifesta no nosso dia a dia.
Desde cedo somos ensinados a ter vergonha de tudo. O que as pessoas vão pensar se formos diferentes? Se pensarmos, andarmos, falarmos ou tivermos gostos fora do comum? É a vergonha de não se encaixar no padrão aceito ou costumeiro. E ser diferente, como todos sabemos, sempre dá o que falar. As pessoas comentam, ainda que não entendam o motivo da diferença e o quanto ela é saudável para o convívio social. Como reação a esses comentários, a tendência quase sempre é nos fecharmos, nos calarmos e nos podarmos.
Eis o paradoxo: como podemos nos compreender como seres únicos se temos que seguir os padrões que tentam nos impor? Somos únicos em quê? De repente, crescemos e ouvimos dizer que não devemos nos preocupar com a opinião alheia. Outro paradoxo. Com o tempo, entendemos que não é bem assim; depende. Depende de quem você é, do que conquistou e do quanto você vale para os outros.
De repente, sentir-se livre passa a ser a capacidade de pensar por si mesmo, construindo sua própria expressão. Mas inventaram uma técnica estranha para facilitar esse processo: "Conheça a sua plateia e fale somente o que ela quer ouvir. Assim, você será aceito e não sentirá vergonha!"
Que técnica é essa? Mesmo quando se é alguém importante ou influente, é preciso pesar as palavras para não desagradar o público e evitar o "cancelamento". Então, seguindo essa lógica, você falará apenas o que agrada aos ouvidos da audiência. Perceba o perigo: o medo da vergonha pelo que podem pensar de nós e de nossas ideias acaba nos impedindo de sermos nós mesmos e de expressar o que realmente queremos. É uma fórmula largamente difundida.
Para enfrentar essa situação, algumas pessoas aprenderam a simplesmente ignorar a opinião alheia. Para elas, a vergonha deve ficar com a audiência que não está preparada para ouvir suas ideias. Dessa maneira, o julgamento alheio não atinge quem emite opiniões fora da curva do coloquial.
Mas quer saber de uma coisa? Um pouco de vergonha na cara é sempre bom. A pessoa que não tem vergonha de nada acaba envergonhando a si mesma e aos demais. Anota aí: quem sabe usar a vergonha alheia acaba controlando pessoas, pensamentos e situações.
Então chego à conclusão de que a vergonha é subjetiva e não possui um significado único. Quem sente vergonha, sente vergonha de algo. Independentemente de o mundo achar uma atitude vergonhosa ou não, sempre haverá alguém para criticar, rir ou fazer piada; sempre há algo a ser dito sobre o que você expressou. Outras vezes, contudo, tudo não passa de imaginação. Ninguém está prestando atenção. Só você se importa, achando que os outros estão vigilantes ou vivem preocupados com a sua vida.
A vergonha vai baixar sua cabeça, dobrar seu corpo e enfraquecer seus joelhos. Então, da próxima vez em que ela aparecer, estique os joelhos, alinhe o corpo e levante a cabeça. Assim, você enxergará mais longe e verá que tudo depende da sua postura, do seu jeito de ver as coisas e de como você se posiciona.
Sentir vergonha não é o problema. O problema real está no que você deixa de fazer por causa dela e acaba se arrependendo depois. É aquela palavra não dita, a experiência não vivida, o sorriso que se perdeu, o abraço que não foi dado ou a mão que deixou de acolher.
Deixe de lado a vergonha!
Elikah França
Instagram: @elikah
Sobre entender ou se fazer entender
(31 de março de 2026)
Tudo começou assim:
__Bom dia! Amora está?
__Não, ela foi para Floração. Respondeu ela com muita segurança.
__O que significa? Perguntei, sem entender o que significava ela ter ido para Floração. Seria uma comissão? Uma reunião? Talvez uma nova direção da qual nunca ouvira falar? Alguma coisa não me foi comunicada? Aguardei!
__Ah! Ela agora tem que ir coletar flores para a estação que está por vir.
__Significa que ela não está aqui no estabelecimento?
__Sim!
__E quando ela volta? Tentei obter alguma informação mínima e satisfatória.
__Um momento! A atendente me pediu que aguardasse entuanto fazia perguntas a uma outra pessoa, próxima dela e desconhecida de mim.
A resposta veio: __Ela volta na próxima semana.
Desliguei o telefone e não pude deixar de pensar naquela conversa estranha. Realmente, está cada vez mais difícil se comunicar. Esperava, naquele diálogo, que as respostas me atendessem e fluíssem sem que eu precisasse questionar a cada vez. Talvez a maneira como eu dialogo esteja meio fora de moda.
Não sei se é o uso da tecnologia que está tirando das pessoas a capacidade de analisar um contexto e levar a informação precisa.
Ela não emburrece as pessoas, mas é usada como desculpa para dizer que as pessoas precisam aprender a buscar o conhecimento.
E a direção, para onde vai?
Ler só por ler, sem ter objetivo a alcançar não me parece levar a nenhum lugar.
Vivemos tempos em que aprender é para poucos, afinal, porque dedicar tanto tempo a leituras se a inteligência artificial traz tudo prontinho?
Coloque duas pessoas com diferentes níveis de conhecimento para pesquisar um mesmo assunto. Teremos respostas iguais? Nunca! Porque a construção do contexto em que se dá o conhecimento faz toda a diferença.
Talvez, em outra situação, em outro contexto a resposta para a pergunta inicial seria: Bom dia, Amora não se encontra no momento, ela viajou e só deve voltar na próxima semana. Ela está participando da Floração recolhendo flores para a próxima estação. E, quem sabe, fecharia dizendo: quer deixar algum recado?
Saudades do tempo em que as pessoas se preocupavam com a boa comunicação.
Elikah França
Instagram: @elikah
Senhor Universo, por favor, faça a sua parte!
- (08 de março de 2026)
Passamos a vida esperando o amanhã chegar para fazermos o que os mais velhos fazem.
E eis que, quando chega a nossa vez, o mundo mudou. Já não se fazem as coisas como antes; tudo o que aprendemos parece não nos servir mais.
É como o envelhecer: tiraram-nos o direito de sermos velhinhos frágeis. Agora que chegou a nossa vez, o ritmo de vida é outro! É trabalho, casa, filhos, academia, corrida, bicicleta, dança... E a agenda, que esteve cheia a vida toda, continua lotada.
Eu pensava que me aposentaria e poderia, ao menos, escolher a hora de acordar; decidir quando ir à academia; ter tempo para leitura, um cafezinho com os amigos ou um curso aqui e outro acolá. Mas tudo isso surge para preencher uma agenda já saturada, inclusive com o trabalho.
Não nos querem aposentadas!
Aquela vovozinha que fazia bolinhos, cuidava do jardim e preparava comidinhas gostosas ficou no passado.
Minha mãe é uma avó que cozinha bem, faz academia, aposentou-se e detém as rédeas da própria vida. É o patamar mais próximo do que almejo... quem sabe virar nômade e conhecer lugares diferentes sem precisar esperar pelas férias? Provar sabores e sentir aromas nunca experimentados antes. Fazer um curso de algo banal, apenas para socializar e aprender coisas novas. Ficar à toa! São apenas sonhos que levo sempre comigo.
Dizem que vem por aí uma nova reforma que alterará as regras da aposentadoria... Só falta acontecer quando faltarem poucos dias para a minha vez!
Estou fazendo a minha parte: preparando-me para mudar de vida e realizar desejos que ficaram guardados.
Agora que sigo com paciência, por favor, Senhor Universo, faça a sua parte!
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