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José Santhiago é Historiador, Ghost-Writer, Revisor de textos, Advogado e pós em Jornalismo Digital e MBA em Perícia de Crimes Digitais. Observador de gente e amante da vida. Durante toda sua trajetória vem atuando e buscando entender as diferentes narrativas humanas.
Sabe aquela discussão sobre trabalhar menos horas? Muita gente acha que isso é conversa para apenas os políticos de determinada facção ideológica. Mas a realidade é bem diferente. Pesquisando na história e na economia, a definição da carga horária semanal de cada país é um processo super natural e consequente do capitalismo e do livre mercado.
Alfim, tudo gira em torno da liberdade de combinar as coisas: empresas e funcionários buscam o equilíbrio ideal entre produzir e ter qualidade de vida. Essa flexibilidade sempre fez parte de como o sistema econômico se atualiza e se adapta. E é nesse ponto que a liberdade da sociedade civil importa mais que tudo. O Estado, com sua estrutura cheia de interesses setoriais, muitas vezes torna-se autoritário a partir de entendimento de que ele, somente ele, sabe o que é melhor para as pessoas.
Com a tecnologia e a automação evoluindo num ritmo absurdo, a nossa capacidade de gerar valor por hora trabalhada disparou. As máquinas e os softwares assumiram a parte repetitiva e pesada, fazendo muito mais em bem menos tempo.
É neste ponto que a dinâmica da economia acontece e surpreende. O ganho de produtividade abre espaço para que trabalhemos sem perder eficiência. O progresso técnico vira tempo livre, melhorando a qualidade de vida de todo mundo.
Analisando os fatos de forma prática, jornadas mais enxutas têm uma função biológica e mental essencial. O trabalhador precisa daquele tempo de descanso para recuperar as energias e continuar produzindo bem no longo prazo, sem burnout ou outros problemas por exemplo.
Além de descansar, ter tempo livre é fundamental para fortalecer os laços sociais, curtir a família, os amigos e cuidar de si mesmo. Um profissional descansado e com vida social ativa entrega, naturalmente, resultados muito melhores. E são esses resultados que interessas para as empresas.
Para as empresas, essa dinâmica também traz grandes vantagens para a rotatividade e renovação da equipe. Com jornadas mais inteligentes, as organizações ganham espaço para incorporar novos profissionais e dinamizar o setor produtivo. Além disso, as situações de desestímulo competitivo tendem a minorar.
Trazer gente nova para as equipes profissionais oxigena o ambiente corporativo e distribui melhor as oportunidades econômicas. Assim, reorganizar as horas atende tanto à necessidade de renovar o time quanto à absorção de novos talentos e capacidades disponíveis no mercado.
Historicamente, os países desenvolvidos implementaram reduções graduais em suas jornadas à medida que alcançavam patamares mais altos de industrialização e renda. Esse processo ocorreu de forma orgânica, impulsionado pelo crescimento econômico e por negociações adaptadas a cada setor.
Resumindo: entender a redução da jornada pela ótica econômica e liberal mostra que ela é um reflexo direto do progresso material da sociedade. Tecnologia, eficiência e liberdade contratual caminham juntas para proporcionar um equilíbrio real entre o trabalho e a vida pessoal.
A discussão sobre a redução da jornada de trabalho costuma gerar debates acalorados, mas uma análise histórica e econômica revela que esse movimento não pertence a uma vertente ideológica específica ou que é uma bandeira restrita a um segmento político-partidário exclusivo. Ao longo dos últimos dois séculos, a diminuição das horas trabalhadas nas economias de mercado consolidou-se como uma consequência natural do desenvolvimento do capitalismo liberal.
Para se ter uma ideia, atualmente, em 2026, os países com as menores jornadas de trabalho estão concentrados principalmente na Europa Ocidental e no Norte da Europa.
A maioria possui regimes democráticos, economias capitalistas desenvolvidas e sistemas de proteção social relativamente amplos.
Há uma distinção importante para essa comparação:
Jornada legal: número de horas previsto na legislação para o trabalho em tempo integral
Jornada efetiva: quantidade de horas realmente trabalhadas, incluindo trabalhadores em tempo integral e parcial.
Jornada negociada: carga horária estabelecida por acordos coletivos entre empregadores e trabalhadores.
Segundo o Eurostat, os países com as menores jornadas semanais efetivas na União Europeia em 2025 foram:
País - Média semanal efetiva - Regime político - Modelo econômico predominante
Países Baixos - 31,9 horas - Monarquia constitucional parlamentarista - Capitalismo
Dinamarca - 33,9 horas - Monarquia constitucional parlamentarista - Capitalismo
Alemanha - 33,9 horas - República federal parlamentarista - Capitalismo
Áustria - 34,0 horas - República federal parlamentarista - Capitalismo
Fonte: Eurostat, dados de 2025, publicados em maio de 2026. A média inclui trabalhadores de tempo integral e parcial, de 20 a 64 anos, no emprego principal.
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Países com menores jornadas legais e negociadas
Para comparar com a legislação soviética de 1945 a 1977, essa segunda tabela é particularmente relevante, porque considera a jornada normal de trabalho em tempo integral.
| País | Jornada semanal legal ou convencional | Regime político
| França | 35 horas legais | República semipresidencialista
| Dinamarca | 37 horas convencionais | Monarquia parlamentarist
| Noruega | 40 horas como regra legal geral (*) | Monarquia parlamentarista |
| Bélgica | 38 horas em média como regra geral | Monarquia parlamentarista federal
| Países Baixos | 36–40 horas contratuais (**) | Monarquia parlamentarista
| Alemanha | 35–40 horas por acordos | República federal parlamentarista |
A França se destaca porque possui 35 horas semanais como referência legal nacional. Na Dinamarca e em outros países, jornadas menores são frequentemente resultado de negociações coletivas, e não de uma lei geral que determine exatamente aquela duração, conforme informado pelo Ministère du Travail et des Solidarités.
Todos os país dessa relação estão na classificação democrática como DEMOCRACIAS PLENAS, conforme o Democracy Index 2025, da Economist Intelligence Unit, que avalia eleições, liberdades civis, funcionamento do governo, participação e cultura política. Essa pesquisa pode serconsultada em The Economist Group.
(*) 37,5 horas em muitos acordos.
(**) , conforme o setor.
O que podemos concluir sobre os regimes políticos?
A análise histórica permite algumas observações:
Jornadas menores não são exclusivas de regimes socialistas ou de "esquerda". Diversas democracias capitalistas apresentam hoje jornadas normais inferiores às 41 horas da URSS de 1977.
A negociação coletiva tem grande importância. Em países como Dinamarca, Noruega e Alemanha, sindicatos e acordos setoriais desempenham um papel significativo na determinação das horas trabalhadas.
A duração do trabalho não depende exclusivamente do regime político. Produtividade, desenvolvimento econômico, legislação, distribuição de renda, organização sindical e participação do trabalho parcial também influenciam o resultado.
O regime democrático é predominante entre os países com menores jornadas observadas. Entretanto, essa correlação não demonstra, por si só, que a democracia seja a causa direta da redução das horas de trabalho.
Fontes para aprofundamento:
1 - Eurostat — Jornadas semanais efetivas na União Europeia em 2025
(https://ec.europa.eu/eurostat/web/products-eurostat-news/w/ddn-20260527-1).
2 - Eurofound — Balancing the Clock: How Europe Works and Rests
(https://www.eurofound.europa.eu/en/publications/all/balancing-the-clock-how-europe-works-and-rests).
3 - OCDE — Dados comparativos sobre horas de trabalho
(https://data-explorer.oecd.org/).
4 - Economist Intelligence Unit — Democracy Index 2025
(https://www.economistgroup.com/press-centre/economist-enterprise/eiu-democracy-index-2025-democracy-stabilises-after-eight-years-of-decline).
Podemos concluir que os países em que há as menores cargas horárias de trabalho, atualmente, são democracias liberais com economias capitalistas e sistemas de proteção social desenvolvidos, em que se permite uma combinação interessante entre desenvolvimento produtivo, relações de trabalho, legislação e escolhas políticas.
Curioso e merece destaque é que, nos países onde as relações de trabalho baseiam-se na liberdade contratual pela qual empresários e empregados buscam constantemente o equilíbrio entre a produção e o bem-estar, em constante negociações (muitas vezes duras!), há ganhos reais de produtividades, há aumento da qualidade de vida da população e há jornadas e cargas horárias menores instituídas.
A sociedade brasileira quer e merece que as forças políticas democráticas discutam a redução da jornada e da carga horárias.
A instituição da escala 5 por 2, com liberdade para negociação, é uma conquista de toda a sociedade civil, não pertencendo nem à esquerda nem à direita do conjunto político.
Cama desarrumada com cheiro de dormida recente. Coador de café avermelhado pelo tempo. Xícaras sujas sobre pratos sujos acompanhados de colheres sujas. A cozinha toda cheira a mau-cheiro. A sala, nem se fala, era um brejo seco pontilhado por restos de pipocas teimosas, embalagens sebosas e roupa suja. Caixas vazias de sertralina estavam soltas em todos os cômodos.
Joana estava deprimida. Esse não é o ponto final.
Há exatamente 10 dias seu marido foi morto em um assalto na principal avenida do bairro, ali bem pertinho da padaria do João Inácio. Nico, como era conhecido o dono-padeiro, agarrou o pescoço do assaltante e lhe deu de presente um garrote, dos mais apertados, que quase quebrou a espinha dorsal do malfeitor. A polícia chegou e o levou com um olho roxo.
As emoções de Joana foram ao ralo quando soube que o assassino havia sido solto na audiência de custódia, pois o juiz entendeu que não se configurara o flagrante.
Psiu! Psiu! Psiu!
O chamado vinha do canto da cama, quase de frente aos olhos de Joana que, deitada de bruços, não sabia se soluçava ou fechava os olhos.
Psiu! Esqueceu de mim? Estou aqui o tempo todo ao seu lado. Você reparou nisso?
Os dorsos dos dedos indicadores das mãos de Joana, em movimentos circulares desordenados, esfregaram os olhos da mulher, quase estrangulando sua visão. Sua nuca dobrou em sinal de curiosidade. Olhou para o canto da cama. Seus olhos foram abrindo lentamente e fixaram o foco nos olhos graúdos e verdes do gato pintado, mais lindo do que ela mesma poderia imaginar.
Ela de início não acreditou, mas Antônio Carlos estava falando. Preocupado com o estado da mulher, o gato franziu o cenho, piscou o olho direito e perguntou:
Você acha que está só? Estamos juntos nesse luto. Também estou triste.
Joana ficou pasmada ao ouvir o felino de voz grave e séria afirmar sua tristeza incondicional naquele momento. A casa toda estava de luto.
O cenário mundial aponta crises em diversos setores. A economia vai mal. As crianças nas escolas aprendem cada vez menos. Idosos perderam a esperança. A bagunça nos poderes públicos está chegando perto de um ponto sem retorno. Você perdeu seu marido. Tudo isso é triste. Mas você é forte. Estou com você!
Antônio Carlos, além de ter aprendido a falar, tornou-se um intelectual. Conversaram, Joana e Antônio Carlos, por mais algumas horas até o bichano entender que era o momento de se retirar da cama e buscar uma caixa de sapato no cantinho do outro quarto para dormir e roncar.
Ainda surpresa, além da conta, Joana lavou a cara, penteou o cabelo, trocou a camiseta e pôs sandálias. Rosto lavado com sabonete de aveia, ela sentou-se na cadeira de leitura. Não estaria mais só.
A vida continuaria e novos livros seriam tragados naquela casa. Ela não estava só.
Aquela foi a última vez em que Antônio Carlos falou com Joana. Ela se recompôs, passou batom e vestiu um vestido florido. Saiu para passear.
Não se sentia mais dona de um gato. Ele tornou-se um confidente.
Essa história era contada por um barman desdentado, comumente vestido com colete marrom desbotado, que ficara preso por alguns anos a título de subversão, pelos bares em que trabalhara, ora como titular do balcão de bebidas, ora como simples biscateiro. Quase sempre bêbado, Boris já esquecera qual ponto acrescentara ao conto.
Quando as rodinhas das malas dos dois homens se encontraram, aos esbarrões, dentro do bagageiro do avião barulhento e com mal cheiro, estabeleceu-se de logo uma certa cumplicidade. As malas tinham os mesmos adesivos, eram da mesma marca, vinham da mesma origem e seus destinos eram os mesmos. Tudo combinava, exceto pelo fato de que uma delas, abarrotada de documentos secretos, trazia amarrada a uma das rodas uma fitinha cor vermelha.
Aleksander e Béria haviam se conhecido em uma noite de charutada, com os prazeres da Línea 1492 (com o Cohiba Siglo VI) e da ultra-premium Línea Behike, tudo regado a uísque centenário.
Naquele encontro, a mesa posta, além da variedade de charutos, comportava doces portugueses, iguarias tailandesas e mulheres eslavas. Tudo ao gosto dos fregueses ricos que, às escondidas, se reuniam para deliberar, afinal naquela noite seria decidido o destino de adversários.
Béria, de olhar astuto, conhecia os meandros da estrutura policial. Seu mantra entre os poderosos era "Dê-me um nome que eu arrajarei um crime pelo qual ele possa ser acusado". Aleksander estava temeroso, pois entrara no jogo do poder há pouco tempo. Antes, era apenas um menino de recado para gente mais poderosa. Passara a ter proeminência recente, após levantar a voz e perceber que as pessoas tinham medo dele. Puro teatro ensaiado para projetar poder.
Os inquéritos policiais, comandados por Béria ou sob sua influência, eram postergados propositadamente. Sob a batuta da demora, os investigados passavam pelo status de amedrontados e, em sequência, eram estorquidos. E nisso se consubstanciavam os interesses dos dois homens.
Bem orientado nas palavras, Aleksander entendeu que precisava da espetacularização, utilizando os processos montados por Béria para alcançar o intento de proteção dos seus interesses.
Assim, conseguiu a ajuda de alguns jornais para transformar alguns fatos reais em um autêntico espetáculo de entretenimento. Ele tinha ouvido de um antigo tutor que deveria priorizar o impacto visual, o drama e a audiência em detrimento da profundidade ou da verdade. Era a maneira que encontrou para esconder seu pouco conhecimento e sua lógica tacanha de interpretar os fatos.
Béria, por sua vez, trabalhava intensamente em criar relatórios sobre a vida dos adversários de Aleksander.
O vôo, da origem ao destino, era de uns 600 quilômetros, ou aproximadamente uma hora e meia. Tinham tempo suficiente para tratar estratégias. O que estava em jogo não era apenas manter o poder, mas continuar o fluxo de investimento entre os interesses dos dois homens.
De um lado, notas de moedas de origens variadas. De outro, papéis A4 cheio de informações sobre os adversários, auscultados sem permissão judicial e escritos em linguagem barata e sem ortografia básica. Os dois sabiam o que estavam fazendo, sabiam dos limites para usar as informações e sabiam como burlar as barreiras legais. Achavam que tudo podiam, pois estavam defendendo os interesses de muita gente poderosa em prol da sociedade entorpecida em picuinhas sem importância.
Era janeiro de 1953. A Corte Judicial estava em recesso. Aleksander pretendia ser nomeado como presidente do colegiado judicial. Já tinha entregue muita gente à sanha do grande líder, que dele teria escutado "quem vota não decide nada, quem conta os votos é que decide tudo", em 1934 na eleição para Secretário-Geral.
Por isso, mantinha os intermináveis inquéritos judiciais visando utilizar a lei contra os adversários ou eventuais intelectuais que pudessem contradizer as palavras do Grande Pai. Aleksander sentia-se acobertado pela simpatia do partido e dos carreiristas. Nada poderia dar errado.
Enquanto isso, Béria, retornando à capital, imaginava que seria mantido na chefia do Setor de Segurança. Sentia rumores que davam conta de que sua liderança na área de espionagem estava deixando a desejar, já que abandonara os interesses do país para se dedicar exclusivamente aos seus próprios negócios. Mas, contornaria esse revés com novos dossíês contra alguns inimigos íntimos e outros imaginários.
O Aeroporto de Moscou estava deserto, tanto pelo horário clandestino dos voos quanto pelo clima congelante de ideias. O mármore do piso fazia doer todos os ossos do corpo.
Disfarçadamente, os homens trocaram as malas. Béria carregou com um carinho ambicioso a sua. Aleksander sentiu prazer em perceber de imediato que a fitinha, agora, era somente sua.
Nunca imaginariam os homens que em pouquíssimo tempo, mais precisamente em 5 de março de 1953, seus destinos restariam diametralmente opostos e selados. Sua amizade, festejada ao gosto de copos de Johnnie Walker (Red and Black Label), foi esquecida nos porões cheios de processos guardados em arquivos classificados como perigosos pelo governo central.
Aleksander consagrou-se como membro do Supremo Tribunal da URSS.
Béria foi preso em 26 de junho de 1953. Acusado de traição, foi julgado pela Suprema Corte da URSS. Béria (distante de seus arquivos secretos) foi fuzilado em 23 de dezembro de 1953 em Moscou.
Fazia muito frio no aeroporto onde os dois homens trocaram as malas. Tempos depois, fazia muito mais frio no quartel da Capital quando Béria recebeu sua sentença e seu destino chegou ao ponto final.
O barman Boris habituara-se a terminar sua narrativa apelando para as ironias da História.
Enquanto o nome do juiz decora páginas de livros jurídicos para referência de novos doutores, o nome de Béria foi esquecido no Livro de Registro de Ocorrências no bunker, situado no pátio interno do Quartel-General do Distrito Militar de Moscou, na avenida Kosmodamianskaya Naberezhnaya, 24.
Segundo relato do general Batitsky, que efetuou o disparo contra Béria, seu corpo foi levado ao 1º Crematório de Moscou, no complexo do Cemitério Donskoi, e cremado. Seu nome ainda consta do Livro de Registros de Tarefas e Rotinas do Dia que era preenchido pelos trabalhadores do crematório.
A mala de Béria nunca foi encontrada.
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De herói assassino a indigência em um túmulo esquecido.
O caso de Lavrenti Beria ensina que
“heróis” desumanos, mesmo que amparados em um determinado tempo por um governo, lei ou sistema judicial autoritários, acabam como indigentes nas tumbas e nas valas da História.
(*) Nota do Autor:
Este texto é de ficção, apesar de utilizar fatos históricos.
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