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Vívian Marler é jornalista e especialista em Comunicação Institucional e Eclesial, com mais de 30 anos de experiência.
Sua trajetória reúne atuação na comunicação de instituições eclesiais e organizações de diferentes setores. Viveu por 26 anos no Rio de Janeiro, onde trabalhou com assessoria técnica, relações públicas e redação publicitária nas áreas de saúde, militar e Forças Armadas, educação, varejo e artes cênicas.
Atualmente, atua na comunicação institucional e eclesial na Amazônia e colabora com reportagens e coberturas sobre questões sociais, direitos humanos e meio ambiente.
No debate do segundo turno (das eleições no Brasil, em 2026), educação, primeiro emprego, saúde e segurança devem ser vistos pela experiência concreta de crianças e jovens, e pelo compromisso coletivo de abrir caminhos para todos.
Há jovens que estudam com o celular compartilhado em casa, fazem cursos quando a conexão permite e procuram a primeira oportunidade de trabalho enquanto ajudam a família. Há também quem tenha acesso a boas escolas, idiomas, tecnologia e redes de contato. Essas realidades não são iguais, mas podem se encontrar numa escolha comum, construir um futuro em que oportunidades não dependam do endereço, da renda ou da cor da pele.
Vivian Marler
Juventude e a Educação
Essa aproximação não deve transformar jovens com mais recursos em salvadores dos demais. O caminho é outro, escutar quem enfrenta as barreiras, reconhecer os próprios privilégios e colocar conhecimentos, tempo e redes a serviço de soluções construídas junto com as comunidades. Solidariedade, nesse sentido, não é falar pelo outro; é trabalhar para que todas as pessoas tenham voz e condições de escolher seus caminhos.
No segundo turno (das eleições no Brasil, em 2026) discutir o futuro da infância e da juventude é perguntar que condições serão oferecidas para que cada pessoa possa estudar, cuidar da saúde, viver com segurança e encontrar trabalho digno. Qual projeto, como o de Dom Bosco, pode ajudar a melhorar a realidade dessa parcela da nossa sociedade. Uma sociedade mais justa não exige que todos tenham a mesma trajetória; exige que ninguém seja impedido de sonhar e construir a sua por causa das desigualdades.
(*) Este texto foi extraído, com autorização, do artigo "Juventude e o acesso a Educação precisam caminhar juntos para que os sonhos não morram", publicado no Projeto Encantar a Política.
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O futuro, porém, não se resume à preparação para o mercado. Crianças e jovens precisam de escola acolhedora, acesso à saúde física e mental, proteção contra violências, espaços de esporte e cultura, transporte seguro e oportunidades de participação. A formação para profissões do futuro perde sentido quando faltam condições básicas para aprender, circular pela cidade e projetar a própria vida.
Igrejas, escolas, organizações sociais, empresas e poder público podem contribuir com ações de formação, acompanhamento e voluntariado. Mas iniciativas comunitárias não substituem a responsabilidade do Estado de garantir direitos e políticas contínuas.
Um exemplo de incentivo simples, prático e bem articulado com instituições particulares e governamentais, pode ser percebido no projeto do ‘Pai e Mestre da Juventude’. Inspirados por São João Bosco, fundador dos Salesianos, que criou em Turim o Oratório de Valdocco para acolher jovens pobres e abandonados, oferecer-lhes educação, formação para o trabalho e um ambiente de família, os Salesianos no Brasil atuam em escolas, obras sociais, oratórios e iniciativas de formação profissional.
Essa missão se inspira no Sistema Preventivo de Dom Bosco, baseado na razão, na religião e na ‘amorevolezza’, ou amor educativo, que vê cada jovem não como um problema a ser controlado, mas como alguém com potencial, dignidade e direito de construir o próprio futuro.
Fontes para pesquisa:
IBGE - MEC - RELATÓRIO NEXA - SALESIANOS
Na véspera do voto, nota do Vaticano de 2002 recorda: a fé também se expressa na vida pública
Publicado em 2002, documento da Santa Sé não indica candidatos nem partidos, convida católicos a formar a consciência, discernir com liberdade e assumir responsabilidade pelo bem comum.
Amanhã, dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros irão às urnas. A escolha feita na cabine, porém, não se encerra ali, as decisões de quem for eleito terão efeitos sobre a vida cotidiana, os serviços públicos, os direitos e o futuro dos territórios.
Na Amazônia, onde tantas comunidades enfrentam longas distâncias, falta de infraestrutura e ameaças aos seus modos de vida, pensar no voto é também pensar em quem costuma ser ouvido, e em quem continua esperando por dias melhores.
Às vésperas da eleição, uma Nota Doutrinal publicada pelo Vaticano em 2002 oferece uma reflexão que permanece atual "qual é a responsabilidade dos católicos diante da vida política?" A resposta do documento não é uma lista de candidatos nem uma orientação partidária. É um convite à participação consciente, à formação da consciência e ao compromisso com o bem comum.
A Nota doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política foi aprovada pelo papa João Paulo II na audiência de 21 de novembro de 2002. Foi assinada pelo então prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, que em 2005 seria eleito papa com o nome de 'Bento XVI' e pelo secretário, Tarcísio Bertone, SDB. Publicada em 24 de novembro daquele ano, solenidade de Cristo Rei, a Nota continua oferecendo critérios para refletir sobre a presença cristã na sociedade.
Formar a consciência, sem escolher pelo eleitor, o documento afirma que cabe à Igreja instruir e iluminar a consciência dos fiéis, especialmente daqueles que participam da vida pública.
Mas também ressalta que não lhe cabe formular soluções concretas, muito menos soluções únicas, para as questões temporais, que dependem do juízo livre e responsável de cada pessoa.
Essa distinção é essencial em uma eleição, a fé pode inspirar valores e orientar o discernimento, mas a escolha do voto não deve ser imposta por uma autoridade religiosa. O compromisso cristão com a política começa pelo esforço de conhecer candidaturas, trajetórias e propostas e de avaliar suas consequências para a sociedade.
A liberdade, porém, não significa indiferença. A Nota lembra que os cristãos não devem separar a vida espiritual da atuação na família, no trabalho, na comunidade e na política. A busca pelo bem comum, pela dignidade humana, pela justiça e pelo respeito aos direitos pode atravessar todos esses espaços. Também alerta para o risco de reduzir a responsabilidade pública a um único tema, esquecendo os demais desafios que afetam a vida das pessoas.
Na Amazônia, o bem comum passa por quem vive no território, para as comunidades amazônicas, avaliar propostas significa olhar para situações muito concretas acesso à saúde e à educação, transporte, saneamento, trabalho digno, proteção ambiental e respeito aos povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e demais comunidades tradicionais. A pergunta sobre o desenvolvimento também é decisiva 'quem se beneficia das escolhas públicas e quem arca com seus custos?'
A reflexão dialoga com a exortação apostólica 'Querida Amazônia', do saudoso papa Francisco, que apresentou sonhos sociais, culturais, ecológicos e eclesiais para a região.
Amar a Amazônia, nessa perspectiva, não é apenas admirar sua beleza: é reconhecer a dignidade de seus povos e cuidar das condições que permitem à vida florescer.
Também o papa Leão XIV, em discurso de setembro de 2026, contrapôs a resignação à participação ativa da sociedade pela paz e pelo bem comum. Ele destacou a importância de caminhar juntos, inclusive com quem pensa diferente, e afirmou que a paz e os equilíbrios justos se constroem com a participação dos diversos setores sociais. Na exortação 'Dilexi te', o pontífice volta a atenção para o amor aos pobres e para a proximidade com quem sofre.
Leia 'Dilexi te' publicado pelo Vaticano clicando AQUI.
Nos meses que antecederam a votação, alertas, formações, mesas-redondas, bate-papo online, encontros, transmissões, materiais formativos e iniciativas da Igreja no Brasil e da sociedade civil ajudaram a relacionar fé, cidadania e responsabilidade eleitoral, muitos projetos como o 'Projeto Encantar a Política' que integra esse caminho coletivo, e propõe formação, diálogo constante, sempre à luz do Evangelho, para que a população reflita sobre democracia, direitos, ética pública e participação.
Amanhã, cada eleitora e eleitor fará sua escolha de forma livre. Depois da votação, continua a tarefa de acompanhar as decisões, cobrar compromissos e defender a vida e a dignidade de todas as pessoas. A Nota de 2002 não oferece uma resposta pronta para a urna; recorda que a consciência cristã não deve se afastar da realidade social nem delegar a outros o cuidado com o bem comum.
Entre a jovem de Nazaré e as mulheres de hoje, a beleza não cabe num padrão, floresce na dignidade, na liberdade, na fé e no cuidado que não apaga quem cuida.
Os Evangelhos não descrevem o rosto de Maria. Não dizem a cor dos seus olhos, a forma dos seus cabelos ou a roupa que usava. Talvez esse silêncio seja um convite, antes de procurarmos nela um retrato ideal de beleza, podemos contemplar a mulher que as Escrituras revelam, jovem, livre para responder, capaz de partir apressadamente ao encontro de outra mulher e de permanecer de pé diante da dor.
(Imagem criada por IA - GPT)
Maria não aparece como uma figura distante, suspensa fora da história. É uma mulher de Nazaré, lugar pequeno e sem prestígio, inserida nas condições concretas de seu tempo. Recebe uma notícia que muda seus planos, faz uma pergunta, “Como acontecerá isso?”, e, depois, responde com coragem. Seu “faça-se” não é o gesto de quem deixa de pensar ou sentir. É a decisão de quem, mesmo sem controlar o futuro, confia e se compromete.
Na carta apostólica ‘Mulieris dignitatem’, São João Paulo II reflete sobre a dignidade e a vocação da mulher e apresenta Maria como referência singular para pensar a experiência feminina. Não porque todas as mulheres devam reproduzir sua história, mas porque nela se manifesta uma dignidade que não depende de posição social, aparência ou reconhecimento público. A grandeza de Maria está ligada à sua abertura a Deus e à sua participação, como sujeito, na história da salvação.
Essa perspectiva ajuda a deslocar uma pergunta muito repetida, “o que torna uma mulher bonita?”. A resposta cristã não pode ser um molde de corpo, idade, comportamento ou maternidade. A beleza da mulher católica não está em parecer sempre jovem, impecável, disponível e serena. Está na dignidade de uma vida inteira com inteligência, liberdade, trabalho, fé, cansaço, escolhas e limites.
Depois da Anunciação, Maria não fica parada diante do que acaba de acontecer. O Evangelho de Lucas conta que ela vai “apressadamente” à casa de Isabel. Duas mulheres se encontram, conversam, reconhecem a vida que cresce e celebram o que Deus realiza. Antes de ser uma imagem devocional, Maria é uma mulher em movimento, que leva consigo uma esperança e se faz presença para outra mulher.
Na ‘Redemptoris Mater’, São João Paulo II descreve a vida de Maria como uma “peregrinação da fé”. A expressão importa, acreditar não significou para ela ter todas as respostas ou atravessar a vida sem medo. Sua confiança foi amadurecendo ao longo do caminho, em Nazaré, em Belém, durante a fuga para o Egito, no cotidiano com Jesus, no reencontro com o filho no Templo e, por fim, aos pés da cruz.
O ‘Magnificat’, cântico de Maria, também revela a força de sua voz. Ela louva a Deus, mas não faz uma oração alheia à realidade, fala dos soberbos que são dispersos, dos poderosos que são derrubados, dos humildes que são exaltados e dos famintos que são saciados.
Sua fé não a afasta da vida dos pobres. Ajuda-a a enxergar que a esperança também tem consequências para a história.
É uma palavra que ainda encontra eco na vida de tantas mulheres que enfrentam a pobreza, a violência, o racismo, a desigualdade e a falta de acesso à saúde, à moradia, à educação e ao trabalho digno.
Mulheres que sustentam famílias, cuidam de crianças e idosos, lideram comunidades, lutam por direitos e, muitas vezes, fazem tudo isso sem apoio suficiente. Reconhecer sua beleza não é romantizar o sofrimento nem transformar a sobrecarga em virtude. É afirmar que elas merecem cuidado, proteção, descanso e justiça, não apenas admiração pela capacidade de resistir.
Em Caná, Maria percebe uma necessidade concreta, o vinho acabou. É uma falta talvez discreta, mas capaz de causar constrangimento numa celebração. Ela não ocupa o centro da festa nem toma o lugar de Jesus. Nota o que está acontecendo e o apresenta ao filho, “Eles não têm mais vinho”. Depois, diz aos que servem, “Fazei tudo o que ele vos disser”.
Ao ler esse episódio, a ‘Redemptoris Mater’ destaca a solicitude de Maria diante das necessidades humanas. Seu cuidado não é indiferença nem controle, é atenção, iniciativa e confiança. Há algo de muito atual nesse olhar que percebe a falta antes que ela se torne invisível.
Em tantas casas, paróquias e comunidades, mulheres notam quem está passando necessidade, quem se isolou, quem não tem alimento ou quem precisa ser ouvido. Esse cuidado sustenta vidas, mas não deve ser tratado como obrigação natural e ilimitada da mulher. Cuidar também exige que a sociedade cuide de quem cuida.
A maternidade de Maria ganha outra dimensão aos pés da cruz. Ali, ela não está protegida da dor. Permanece junto do filho, num momento em que as promessas parecem desmentidas pelo sofrimento. Sua presença não elimina a cruz, mas impede que a pessoa ferida fique sozinha. Há mães que conhecem essa experiência de um modo particular, acompanham filhos doentes, enfrentam a perda, atravessam a pobreza ou tentam proteger a família em contextos de violência.
A fé não torna a dor pequena, nem obriga ninguém a escondê-la. Pode ser, antes, uma forma de atravessá-la sem perder a esperança e sem abandonar a busca por amparo.
A Igreja não apresenta Maria como avó. Os relatos bíblicos não contam que ela tenha vivido essa etapa. Mas, ao contemplar a mulher que acompanha, ama e permanece junto de Jesus, podemos reconhecer afinidades com tantas avós de hoje, mulheres que oferecem memória, presença e cuidado, muitas vezes também assumindo responsabilidades que deveriam ser partilhadas por toda a família e pela sociedade.
Nem toda mulher será mãe, e nenhuma mulher se resume à maternidade. Há mulheres solteiras, consagradas, casadas, viúvas, com filhos ou sem filhos; mulheres que trabalham, estudam, cuidam, lideram, recomeçam.
A vocação de Maria não é uma medida para cobrar que todas vivam do mesmo modo. É uma luz para reconhecer que cada mulher possui valor próprio e que sua dignidade não está condicionada ao serviço que presta aos outros.
Também por isso, a beleza inspirada em Maria não exige que a mulher desapareça para que os outros brilhem. Seu “sim” foi uma resposta livre, não uma renúncia à própria voz. Sua presença em Caná foi atenta e ativa; seu cântico teve força para nomear as injustiças; sua permanência junto à cruz foi uma forma de coragem. A mulher bela à luz de Maria pode ser delicada sem ser frágil, firme sem deixar de ser sensível, cuidadora sem ser reduzida ao cuidado.
Em ‘Evangelii gaudium’, o Papa Francisco recorda que a fé não pode ser separada dos pobres e pede que eles não sejam deixados sozinhos. Essa convicção também desafia a maneira como olhamos para as mulheres que vivem a pobreza, não como personagens anônimas de uma narrativa de sacrifício, mas como pessoas de direitos, saberes, desejos e voz.
A devoção a Maria perde força quando elogia a mãe sofredora e não se compromete com condições mais justas para as mães de hoje.
Talvez a beleza de Maria esteja justamente em não caber numa imagem imóvel. Ela é a jovem que pergunta e acredita; a mulher que parte ao encontro de Isabel; a mãe que percebe a necessidade em Caná; a discípula que atravessa a noite da fé; a presença que permanece. E, ao redor dela, a beleza de tantas mulheres se revela não por corresponderem a um ideal impossível, mas por viverem com dignidade, criarem laços, lutarem por vida plena e manterem aberta a esperança.
Não uma beleza que serve para ser contemplada de longe. Uma beleza que caminha, escuta, age e abre espaço para que outras vidas também floresçam.
(Imagem criada por IA - GPT)
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